Hipoteca – O Guia Absolutamente Completo

A palavra Hipoteca foi ouvida por mim pela primeira vez quando eu ainda tinha 8 anos de idade.

Foi com esta idade que aprendi a jogar Banco Imobiliário. Se você já jogou este jogo, deve lembrar que a hipoteca era uma ótima maneira de levantar capital em momentos cruciais do jogo.

Utilizada estrategicamente, a hipoteca poderia ser a chave para a vitória no jogo Banco Imobiliário.

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Mais tarde, já adulto, voltei a ter contato com a palavra hipoteca ao ler o primeiro livro da Coleção Pai Rico Pai Pobre do Robert Kiyosak.

Em seus livros o Robert dizia que para ser rico precisamos pensar como os ricos. Ensinava que o segredo era fazer o dinheiro trabalhar para você, ou seja, buscarmos sempre adquirir ativos que gerem renda.

Entre outras estratégias, ele sugeria fazer hipoteca e pagá-la com a própria renda do ativo gerador de renda. Usando o imóvel como unidade comercial, por exemplo.

Então chegou o momento onde eu precisei entender a fundo como fazer hipoteca, pois eu buscava um tipo de financiamento com as mesmas características para financiar os estudos do meu filho nos Estados Unidos.

Foi quando descobri que a hipoteca estava sendo substituída por outro tipo de empréstimo que usava a alienação fiduciária em garantia.

Estes tipos de empréstimos são conhecidos no mercado por: Home Equity, Empréstimo com garantia de imóvel, Refinanciamento Imobiliário, Crédito com Garantia e outros.

Se é este tipo de crédito que está procurando, então sugiro conhecer outro artigo que escrevi – [ Os 5 Maiores Mitos sobre o Home Equity ]

Quando estudei sobre hipoteca, percebi que todo material disponível na internet estava fragmentado e com uma linguagem muito técnica que só advogados conseguiam entender bem.

Então as pessoas me procuravam para tirar dúvidas sobre como hipotecar suas casas, quais os riscos, as diferenças para a alienação fiduciária e coisa e tal.

Decidi então escrever este artigo que responde todas as perguntas que me faziam sobre este assunto, numa espécie de Guia Completo da Hipoteca cobrindo os seguintes pontos:

O QUE É A HIPOTECA?

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A hipoteca é, para o possuidor do imóvel, uma maneira de conseguir fundos para alguma necessidade, enquanto que para o credor hipotecário, ou seja, para quem empresta o dinheiro, uma garantia real para o empréstimo feito.

A hipoteca exige o registro do contrato em cartório, para produzir os efeitos legais, e só pode ser encerrada quando do efetivo pagamento de todo o valor emprestado. Desta maneira, quando um tomador de empréstimo não consegue pagar as prestações, terá de entregar o imóvel, mesmo que já tenha pago uma parte do valor tomado como empréstimo, recebendo então a diferença entre o valor de venda do imóvel, feita pelo credor hipotecário, e o valor da dívida não paga.

Quando alguém hipoteca seu imóvel, tomando um valor emprestado sobre o valor de seu bem, ele permanece com a plena propriedade e posse do imóvel, exercendo todos os seus direitos e deveres de proprietário, tirando todas as vantagens se o imóvel é produtivo, mas tendo como obrigação quitar as parcelas em seus vencimentos para não perder esse direito e, em consequência, perder também o imóvel.

Um imóvel hipotecado, assim, pode até mesmo ser dado em garantia novamente para outro contrato, numa segunda hipoteca, já que não existe qualquer cláusula que impeça o devedor hipotecário de tomar um segundo empréstimo dando como garantia o bem imóvel.

O proprietário do imóvel pode, inclusive, vender o imóvel hipotecado, caso encontre um comprador que confie que ele irá pagar a dívida vinculada à hipoteca ou, noutra hipótese, caso pague pelo imóvel preço deduzido do valor dessa dívida. Não há restrição legal para isso, mas há restrição prática, na medida em que o vendedor continuará responsável pelo pagamento da dívida perante o credor hipotecário enquanto o comprador terá comprado um imóvel onerado por uma hipoteca que poderá ser executada na hipótese de não pagamento da referida dívida.

A segunda hipoteca pode ser em nome do mesmo ou de outro credor, devendo-se, nessa hipótese, convencionar o vencimento do crédito se houver a venda do imóvel.

Um problema para o segundo credor, no caso de aceitar nova hipoteca, é que ele, como segundo credor, não poderá executar o imóvel se não tiver resolvido a dívida da primeira hipoteca.

Existem tipos diferentes de hipotecas, conforme os contratos estabelecidos entre as partes (entre o tomador do empréstimo com a garantia do imóvel e o fornecedor do empréstimo):

  • Hipoteca convencional, que exige o registro em cartório para que possa produzir os efeitos perante terceiros, garantindo a ambos os lados o cumprimento de suas obrigações;
  • Hipoteca judicial, que é resultado de uma sentença aplicada pela Justiça, exigindo também o registro em cartório;
  • Hipoteca legal, que não precisa de registro, mas sim a garantia do bem hipotecado, como no caso de:
    • Órgãos federais encarregados de cobrança de impostos, que exigem a garantia dos encarregados de cobrança, guarda ou administração dos fundos e rendas proveniente dos imóveis;
    • No caso de filhos, que têm o direito da hipoteca sobre os imóveis de pai ou mãe que contraíram novo casamento antes de fazer o inventário do casal anterior;
    • No caso de alguém que é envolvido em processos judiciais, que pode exigir a garantia de um imóvel para o pagamento das despesas do processo;
    • No caso de um participante de herança, que quer garantir a sua parte sobre um imóvel que possa estar sendo ocupado pelo outro herdeiro;
    • No caso de um credor, sobre um imóvel arrematado em leilão, para garantia do pagamento do restante do preço da arrematação;
    • No caso do tutelado, sobre o imóvel do tutor, enquanto durar esse relacionamento de tutela.

O QUE PODE SER HIPOTECADO?

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Conforme a legislação, tópico que veremos adiante neste artigo, podem ser objeto da hipoteca os seguintes bens:

  • Os imóveis de qualquer tipo, residenciais, comerciais ou industriais, juntamente com os seus acessórios, que podem ou não estar incluídos na hipoteca;
  • O domínio direto sobre o imóvel, quando se passa ao hipotecário credor todos os direitos sobre o imóvel hipotecado;
  • O domínio útil, quando o devedor permanece com o domínio do imóvel, recebendo por ele os eventuais proventos e receitas;
  • As estradas de ferro, desde que sejam de proprietário particular e não propriedade do governo;
  • Os recursos naturais, independentemente do solo onde se encontram, podendo ser matas, árvores de corte, lavouras, frutos pendentes, implementos agrícolas, gado, entre outros;
  • Os navios e aeronaves;
  • O direito de uso especial para utilização como moradia do bem que está sendo hipotecado;
  • O direito real de uso, quando atende ou o princípio de especialização (que é assim considerado através do documento que gerou a hipoteca, que deve estar inscrito no Registro de Imóveis), ou o princípio de publicidade (quando a inscrição se torna de conhecimento público);
  • A propriedade de superfície de um imóvel, quando a área é cedida a um terceiro que dela tenha proventos e rendas.

No caso de hipoteca de navios e aeronaves, a hipoteca tem uma legislação específica e, nos casos de direito de garantia, como o direito real de uso e de propriedade superficiária, esses direitos ficam limitados à concessão do direito de uso, podendo ser cancelados quando do não cumprimento da hipoteca.

Como é regida por leis específicas, a hipoteca abrange tudo o que envolve o imóvel, inclusive os melhoramentos que possam ser feitos durante a vigência da hipoteca, permanecendo para o devedor hipotecário os ônus e custos sobre o bem, que são de sua responsabilidade.

EM QUE SITUAÇÕES A HIPOTECA PODE SER EXIGIDA?

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Uma hipoteca feita dentro da legislação que estabelece sua forma de pagamento e obrigações, pode ter o seu prazo prorrogado em até 30 anos. No caso de não pagamento das parcelas ou do total da hipoteca, o credor precisa ajuizar uma demanda na Justiça para fazer a apuração do saldo devedor.

Somente com a apuração do saldo devedor, uma situação que, em determinados casos, pode levar até anos, é que o imóvel hipotecado poderá ser vendido para pagar a dívida ou passado para o nome do credor, e isso vai depender da sentença do juiz sobre os fatos apresentados. Mesmo com a sentença judicial, muitas vezes o credor precisa entrar na Justiça também para desocupar o imóvel.

Quando alguém hipoteca o seu imóvel, como ele continua fazendo parte do seu patrimônio, o imóvel pode ser usado para o pagamento das dívidas do proprietário, caso isso seja levado à Justiça, devendo então o credor entrar com processo para participar do valor referente ao imóvel para ter a quitação de sua hipoteca.

Na Justiça brasileira já ocorreram casos em que uma construtora hipotecou os imóveis que estava construindo e recebeu dos compradores as parcelas dos imóveis vendidos. Enquanto a hipoteca estava sendo paga pela construtora, tudo correu muito bem.

No momento em que a construtora decretou falência, o credor da hipoteca entrou com pedido na Justiça para a quitação da hipoteca dos imóveis que, em alguns casos, tinham sido totalmente pagos pelos compradores. O juiz do processo, no entanto, em prejuízo do credor hipotecário, considerou que os compradores eram os legítimos proprietários dos imóveis e que a hipoteca não poderia recair sobre os compradores, que não tinham nada a ver com o compromisso assumido pela construtora e pelo credor da hipoteca.

VANTAGENS E DESVANTAGENS DA HIPOTECA EM RELAÇÃO À ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA, PARA O DEVEDOR E PARA O CREDOR

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Atualmente é cada vez mais comum usar a alienação fiduciária para a compra de bens imóveis, utilizando os imóveis para garantir o crédito concedido, substituindo a hipoteca, que era a garantia de direito do credor.

Na alienação fiduciária, ao contrário da hipoteca, o imóvel está em nome do credor e assim vai permanecer até que seja quitado. Assim, esse tipo de financiamento torna-se uma garantia com menor burocracia, fazendo com que o proprietário tenha mais facilidade para pagar o imóvel.

A alienação fiduciária de imóveis foi instituída em 1997, através da Lei 9.514, preenchendo a lacuna existente no sistema de garantia de empréstimos, podendo ser utilizada não só pelos bancos e instituições financeiras, mas também por pessoas físicas e jurídicas, para garantir qualquer tipo de empréstimo imobiliário. Antes, já existia a alienação fiduciária no financiamento de veículos.

Na alienação fiduciária, usa-se o processo de transmitir a propriedade do bem financiado para o credor. Assim, o devedor aliena o bem imóvel ao credor, dando-o como garantia, ficando o credor com sua propriedade até que o empréstimo esteja pago.

Com isso, o credor tem a posse indireta do bem financiado, enquanto que o devedor, ou fiduciante, fica com a posse direta, atuando na verdade como depositário do bem.

Quando é feita uma hipoteca, não existe a transferência da propriedade do imóvel ao credor. Na hipoteca, o devedor está na posse real do bem, apenas garantindo-o como parte de sua obrigação com o credor, ficando até mesmo com o direito de alienação, ou de venda, do bem a um terceiro ou até oferecer o imóvel como garantia de outra dívida ou de outro empréstimo.

É claro que o credor da hipoteca não perde sua garantia, mesmo que o imóvel seja alienado durante a vigência da hipoteca, exceto em alguns casos, como o citado anteriormente, quando foram comprados imóveis de uma construtora que os havia hipotecado a uma instituição financeira e, por decisão judicial, estabeleceu-se que a hipoteca não deveria prevalecer sobre o direito dos compradores de boa fé.

A grande diferença entre a hipoteca e a alienação fiduciária, portanto, é que na hipoteca o devedor permanece com a plena propriedade do imóvel enquanto na alienação fiduciária, o credor torna-se uma espécie de co-proprietário do imóvel ocupado pelo devedor.

Como já dissemos anteriormente, a hipoteca não subsiste após 30 anos, o que não acontece na alienação fiduciária que está vinculada ao pagamento do saldo devedor.

Quando o devedor paga toda a dívida de uma alienação fiduciária, recupera a propriedade plena do imóvel. Se não pagar, a propriedade plena irá para o credor.

No caso de haver a execução de uma garantia de hipoteca, é preciso ajuizar um processo na Justiça e o imóvel só poderá ser recuperado após a decisão judicial, o que torna processo de recuperação demorado e com menor garantia que a alienação fiduciária.

Na alienação fiduciária não é preciso ajuizar um processo judicial, sendo uma execução mais simples.

Assim que o credor pede a reintegração do bem ao seu nome, ele pode realizar a venda do imóvel, em leilão público, que geralmente é extrajudicial, isto é, não precisa de um despacho judicial, tendo a reintegração de sua posse e podendo exigir a desocupação do imóvel em prazo muito mais curto do que na hipoteca.

A alienação fiduciária também oferece outra vantagem, quando o devedor deixa de cumprir com suas obrigações. Como o bem não está em nome do devedor, o bem imóvel poderá ser executado sem qualquer concorrência de outros credores.

No caso de uma hipoteca, o credor deve concorrer com outros possíveis devedores, pois, neste caso, outras dívidas podem ser cobradas sobre o imóvel que está em nome e propriedade do devedor.

SITUAÇÕES EM QUE A HIPOTECA VALE A PENA

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Em algumas situações pode ser viável fazer isso, devendo apenas lembrar que o banco nunca irá liberar o valor de avaliação do imóvel, e sim um percentual, que costuma variar entre 50 e 70%. Veja as situações em que você pode pensar nisso:

  • Ampliação de negócio próprio, quando você tem uma empresa e precisa conseguir dinheiro a juros mais acessíveis para a reforma de sua empresa. Se você tem certeza e tudo planejado, sabendo que terá resultados positivos, vale a pena.
  • Reforma de um imóvel residencial, que não seja aquele em que você está morando: é um caso que também vale a pena, já que você terá mais tempo para pagar a reforma e poderá valorizar o imóvel com taxas bem menores do que as oferecidas pelos bancos.
  • Resolver pendências financeiras, lembrando também que deve ser um imóvel de sua propriedade e que você não pode estar com o nome inscrito em instituições de proteção ao crédito.

SITUAÇÕES EM QUE A HIPOTECA É DESACONSELHÁVEL

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Os juros de um empréstimo com garantia imobiliária, são menores do que os da maioria das outras modalidades.

De todo modo, se você pretende hipotecar sua casa para se livrar de problemas financeiros, deve tomar muito cuidado: é preciso verificar o seu orçamento, saber o quanto está gastando por mês, verificar a possibilidade de pagar o empréstimo dentro dos prazos de vencimento das parcelas e, principalmente, saber se os recursos do empréstimo vão resolver de vez os seus problemas.

RISCOS DA HIPOTECA

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A hipoteca é um tipo de financiamento muito utilizado, notadamente nos Estados Unidos e em boa parte da Europa.

Para o devedor, o principal risco é perder sua casa. Como está colocando o seu imóvel em garantia do empréstimo, se houver inadimplência o imóvel poderá ser leiloado para a quitação da dívida. Caso o devedor não consiga pagar, pelo menos uma prestação não paga já é motivo para o credor solicitar a quitação da dívida assumida, embora os bancos tenham por costume aguardar três ou quatro prestações para tomar uma atitude mais radical.

Para o credor, embora os riscos sejam menores, eles também existem. Um imóvel é um bem que precisa de manutenção, que precisa ser cuidado e vigiado. E isso gera uma despesa corrente, sendo que a melhor atitude a tomar é levá-lo logo a leilão.

Outro problema para o credor que execute a garantia, por hipoteca ou alienação fiduciária, é que poderá não conseguir um valor em leilão suficiente para pagar o total da dívida, o que o levará a tomar prejuízo.

PROCEDIMENTOS PARA CONSTITUIÇÃO E BAIXA DA HIPOTECA

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Para se fazer uma hipoteca é preciso registrá-la, e isso deve ser feito junto ao Cartório de Registro de Imóveis. Na falta de registro, a hipoteca é considerada inexistente, não havendo qualquer garantia para o credor do recebimento do empréstimo concedido através dessa modalidade.

O registro da hipoteca não transfere o imóvel para o credor, apenas configura que o imóvel em questão constitui garantia de um empréstimo e que pode ser executado no caso de inadimplência.

O valor do empréstimo hipotecário, a ser coberto pelo imóvel dado em garantia, é constituído pelo saldo devedor acrescido dos juros e demais encargos contratuais, incluindo os seguros mensais, mora e multa, além dos impostos que recaiam sobre o imóvel até a data da recuperação do imóvel se a dívida não for paga pelo devedor.

Embora o seguro seja opcional, as instituições financeiras não concedem empréstimos sem ele, que inclui a cobertura nas perdas decorrentes de fatores naturais, como tempestades e enchentes, incêndios e roubos. Existe também um seguro contra inadimplência, que garante ao credor o pagamento se o devedor não puder pagar as amortizações, mas esse tipo de seguro encarece em muito o valor das parcelas a serem pagas pelo devedor, ele não vem sendo praticado.

O registro da hipoteca fica vinculado ao imóvel até a quitação total da dívida contraída. Ao terminar de pagá-la, o devedor deverá solicitar ao credor a autorização de baixa da hipoteca, a qual deve ser levada à averbação no RGI – Registro Geral de Imóveis, para concluir a consequente liberação do imóvel da garantia.

Com o documento entregue ao Cartório de Registro do Imóvel, o devedor, livre de sua dívida e do ônus sobre o imóvel, volta a poder dispor livremente do bem.

CUSTOS PARA FORMALIZAÇÃO E BAIXA DE HIPOTECA

É preciso lembrar que existem custos tanto para a formalização quanto para a baixa de hipotecas. Na formalização é preciso pagar as taxas de registro do imóvel, conforme determinado por lei, ficando o imóvel em posse do proprietário, mas com o registro de averbação da hipoteca em nome do credor. Nesse caso, as taxas são calculadas sobre o débito, confessado ou estimado, do valor da hipoteca.

Quando for registrar a hipoteca, o cálculo da taxa será feito de acordo com a tabela do cartório, que está disponível nos sites dos Cartórios de Registro de Imóveis, considerando para isso o valor declarado nos documentos de hipoteca.

Ao encerrar a hipoteca, o proprietário do imóvel também deverá fazer a averbação de cancelamento da hipoteca e, neste caso, o valor terá um desconto de 50% do valor estipulado para o registro do imóvel.

EXECUÇÃO EXTRAJUDICIAL DE GARANTIA HIPOTECÁRIA

Um imóvel hipotecado pode ser executado no caso de não pagamento das prestações do empréstimo, e isso implica que o credor pode se apossar do imóvel e vendê-lo para conseguir de volta o dinheiro que emprestou. Tecnicamente, a execução da hipoteca é um procedimento legal, podendo ser aplicado no caso de inadimplência, ou seja, no caso de não pagamento das prestações.

Houve muito questionamento sobre o assunto, que chegou a ser discutido no Supremo Tribunal Federal, sendo aprovada a execução extrajudicial sem unanimidade dos ministros. Para alguns ministros, a execução extrajudicial ofendia o processo legal exigido para o cumprimento das leis estabelecidas para a compra e financiamento dos imóveis. Segundo os ministros que votaram contra, a execução extrajudicial não dava direito ao devedor de se apresentar perante a Justiça, não sendo ouvido e sendo executado sem que houvesse um processo.

A legislação estabelecida pelo Decreto Lei 70/66, que estabelece como válida a execução extrajudicial venceu a disputa dos ministros, o assunto foi pacificado no Judiciário e permanece válida. Assim, o banco credor, no caso de hipoteca, possui os mesmos direitos de um credor no caso de alienação fiduciária, podendo levar a execução extrajudicial como meio de receber o dinheiro empregado no empréstimo ou na compra do imóvel pelo devedor.

A execução extrajudicial pode ser promovida pelo próprio banco credor, em ato unilateral e impositivo, sem que haja necessidade de um processo judicial. Ao se constatar o descumprimento do contrato por falta de pagamento, o credor pode, simplesmente, promover notificação prévia ao devedor e, caso não haja o pagamento do débito existente até a data, tem a prerrogativa de garantir o leilão extrajudicial para que o valor obtido com a venda compense o valor que tem a receber como crédito.

Os procedimentos que levam à execução extrajudicial devem ser feitos dentro do que estabelece o Decreto Lei 70/66, que deve ser obedecido em sua íntegra, sob pena de ser anulada a execução extrajudicial e o consequente leilão.

O credor, no caso da execução extrajudicial, deve notificar o devedor que foi instaurado o procedimento extrajudicial de execução do contrato e que o imóvel será levado a leilão, se não houver o pagamento do débito. Na notificação, o credor deve fazer constar inclusive a data e o local de realização do leilão, evitando assim que o devedor seja pego de surpresa, quando poderia tomar as medidas de direito, ou seja, entrar com recursos para evitar a execução extrajudicial, o que poderia levar o processo à justiça e demorar anos para que o banco pudesse receber o valor que teria direito.

EXECUÇÃO JUDICIAL DE GARANTIA HIPOTECÁRIA

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Com relação à execução judicial, o processo é feito perante o poder judiciário, como qualquer outro processo de execução. A discussão sobre a constitucionalidade ou não da execução extrajudicial teve ponto final neste ano de 2015, com a decisão final do Supremo Tribunal sobre o assunto.

Quando alguma cláusula do Decreto-Lei 70/66 não é cumprida, dá direito ao devedor de lutar pelo imóvel no âmbito do Judiciário e, mesmo sem pagar o que está devendo, deixando que o processo corra na justiça durante anos.

LEGISLAÇÃO BÁSICA SOBRE HIPOTECAS

Na história do direito brasileiro, a primeira legislação sobre a hipoteca surgiu com a Lei n° 317, de 1843, seguida pelo seu regulamento, no Decreto n° 842, de 1846. A legislação, no entanto, apresentava imperfeições, que foram corrigidas pela Lei n° 1237, de 1865, e Lei n° 3.471, de 1865.

Isso tudo, no entanto, aconteceu ainda na época do Império. Com o advento da República, em 1889, foi feita uma reestruturação dos Registro Públicos, com o Decreto n° 169, de 1890, seguido pelo Regulamento do Decreto n° 370, de 1890.

A alienação fiduciária dentro da legislação brasileira, fez com que a utilização da hipoteca tenha perdido muito de seu espaço, principalmente porque o credor de uma hipoteca pode perder o seu dinheiro quando a disputa é com dívidas trabalhistas, tributárias e condominiais.

Isso, na prática, reduz muito a segurança de sua garantia, mas é um sistema que continua válido e que pode ser feito dentro da legislação. Com a posição do STF sobre a execução extrajudicial da hipoteca, o ritual de execução praticamente se iguala ao da alienação fiduciária.

A hipoteca é objeto do Capítulo III do Código Civil, que trata somente sobre as hipotecas, confirmando ser um método válido e legal de financiamento.

Antes disso, a hipoteca já tinha sido objeto da legislação, com o Decreto Lei 70/66, que continua válido em diversos de seus artigos, alguns alterados em virtude de nova legislação, principalmente com a instauração do novo Código Civil Brasileiro, e pela Lei n° 5.471/71, que também tratava do assunto.

Tudo o que vimos neste artigo foi baseado no que determina a legislação, considerando o que ainda é válido dentro de cada uma dessas leis e decretos, mostrando porque o empréstimo com garantia de hipoteca é um dos meios mais baratos de conseguir empréstimos.

A mais recente legislação sobre o assunto hipoteca foi a Lei 10.931/2004, que dispõe sobre o patrimônio de incorporações imobiliárias, além de também tratar de crédito imobiliário, de cédulas de crédito imobiliário, cédulas de créditos bancários, alterando alguns itens da legislação anterior, que também do assunto.

Segundo o que estabelece essa nova lei, os bancos comerciais, bancos múltiplos com carteira de crédito imobiliário, a Caixa Econômica Federal, as sociedades de crédito imobiliário, associações de poupança e empréstimo, companhias hipotecarias e outras instituições que trabalham com imóveis ou crédito voltado para imóveis, podem emitir a LCI, a Letra de Crédito Imobiliário, que deve ter como lastro créditos garantidos com hipotecas ou alienação fiduciária do imóvel.

Esta lei trouxe como alteração básica, para a hipoteca, o aumento do prazo de solução da hipoteca, que antes era de 20 anos, passando a 30 anos, da mesma forma que a maior parte dos imóveis vendidos através da alienação fiduciária.

CONCLUSÃO

O método de financiamento através da hipoteca, embora não tão bem aceito ou considerado pelos bancos e financeiras atualmente, ainda é um método legal, que pode ser aplicado e aceito pelos mutuários, mas tem os seus prós e contras, para ambos os lados. Desta maneira, os bancos têm preferido a alienação fiduciária.

Caso tenha dificuldades em encontrar uma instituição que ainda ofereça hipoteca ou tenha concluído que o Refinanciamento Imobiliário é mais indicado para você, leia o artigo:

>> [Os 5 Maiores Mitos sobre o Home Equity ] <<

Até o próximo artigo!

  • Aline Leitao

    Obrigada, Ricardo. Estou pensando em abrir uma empresa e seu texto me ajudou muito.

    • Ricardo Majela

      Muito bom saber que lhe foi útil, Aline.

      Grande Abraço e obrigado pelo comentário!